31.7.07

onde estás? espaço



Viviana Bilotti

Onde estás coração? Onde estás chave do ânimo? Onde estás que te procuro...

26.7.07

essencial : espaço sobre a liberdade


?

O mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão.

François Fénelon

Os Homens não o podem Ser se não forem livres.

Salvador Espriu

A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignarmos a viver sem ela ou de nos decidirmos a pagar o seu preço.

José Martí


Será liberdade fazer só o que nos apetece?


25.7.07

acompanhados pelo espaço


Sandra Poirotte

Ainda que muitas vezes pareça, é raro caminharmos sozinhos.

um espaço para macacadas

Um macaco passeava-se à beira de um rio, quando viu um peixe dentro de água. Como não conhecia aquele animal, pensou que estava a afogar-se. Conseguiu apanhá-lo e ficou muito contente quando o viu aos pulos, preso nos seus dedos, achando que aqueles saltos eram sinais de uma grande alegria por ter sido salvo. Pouco depois, quando o peixe parou de se mexer e o macaco percebeu que estava morto, comentou - que pena eu não ter chegado mais cedo.

Mia Couto

24.7.07

espaço : não fui...


Cristiana Ceppas

20.7.07

um espaço esperado : fui...



Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão

Ruy Belo

Fui...
Não para a praia mas para o campo.
Espero demorar... até.

:)

um espaço grato de quem dança também



Ainda sobre o post anterior, aqui vai um texto com que me identifico muito mais. Foi uma oferta preciosa d'A Dança Dos Erros.

Quanto ao olho... imagino que todos saibam de quem é.


A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

19.7.07

filosofia da janela fechada, um espaço



?

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

Onde estão os olhos do coração? Onde está todo o mundo lá fora?

17.7.07

espaço "b"






Rquel Marín

Nem sei se goste mais das "boas-noites" se dos "bons-dias"...

Agrada-me que comece tudo por "b" de beijo, brancura, bondade...

[na quarta figura o homem não se vê porque está no outro lado da cozinha a fazer as torradas e ainda está nu da cintura para baixo...]

14.7.07

à procura do teu espaço


Pascale Ferran

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.

Não sei o que quer dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas de melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha cara ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave qualquer
coisa extraordinária.

Porque não sei como dizer-te sem milagres

que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.

Herberto Helder

12.7.07

espaço: um sentimento muito natural


Maki Fujimoto

- O mais importante, no que diz respeito à vida por estas bandas, é o facto de as pessoas se deixarem absorver pelas coisas.
- Absorver pelas coisas? Que quer isso dizer?
- Acontece o mesmo quando estás na floresta. Quando estás à chuva, tornas-te parte da chuva. Quando é manhã, tornas-te parte da manhã. Quando estás comigo, tornas-te parte de mim.
- E quando tu estás comigo, tornas-te parte integrante de mim?
- É a pura verdade.
- Qual é a sensação? Seres tu própria e parte de mim ao mesmo tempo?
Ela olha de frente para mim e toca no alfinete de cabelo.
- É um sentimento muito natural. Quando se está habituado, é muito simples. É como voar.


Haruki Murakami In "Kafka à beira-mar"

10.7.07

espaço: nesse mar que levas dentro, o silêncio falar-te-á


?

Estamos tão cheios de barulho, de manhã à noite, que nos incomoda o silêncio. Enchemo-nos de palavras e de sons. Abarrotamo-nos com o ruído dos carros, dos toques, da televisão, das vozes e até dos pensamentos. A toda a hora. Pior ainda é parar. Não temos tempo. Passamos os dias a fazer coisas, a arranjar afazeres e a inventar tarefas. Muitas vezes até a criar novas obrigações - essa desculpa!. Tentando mantermo-nos ocupados, ou melhor, em viver pre-ocupados inclusivamente em conseguirmos ficar satisfeitos.

A dada altura, cedo ou tarde, por razão ou circunstância qualquer, queremos ou somos coagidos a parar. O silêncio faz-se ou impõe-se e, deixamos de depender do tempo e passa ele a depender de nós. Como deve ser! Nesses momentos, algumas vezes, podemos até entrar nas areias movediças que tanto evitamos mas, muitas vezes também, mergulhar na fonte que é o nosso avanço.

Aí, o tempo adquire sentido e começa a significar.

9.7.07

7.7.07

um espaço grande. belo.





Kate T. Williamson

Um verdadeiro amigo repovoa uma cidade
um templo o coração o último jardim

Ruy Belo

[dedicado aos que me habitam quando no vazio. desalojando dor. plantando esperança. preenchendo com proximidade. companhia.]

Bom fim de semana a todos que por aqui!

6.7.07

um espaço adormecido


Murat Harmanlikli

A felicidade é um pássaro que vive em nossa casa. Mas não o vemos. Não sentimos a sua presença. Não sabemos como é. (Em qualquer sítio oculto, o pássaro adormeceu, esquecido, à espera que chamássemos pelo seu nome...)

Helder Pacheco

DESPERTEMOS!

5.7.07

espaço caminho



Caminhantes, são teus rastos o caminho, e nada mais;
Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar.

António Machado

Penso: a nossa memória é curta, vemos apenas os últimos metros pisados e os sulcos do mar.

Não fui eu que tirei a fotografia. Imagino o autor a voltar-se para trás e a pensar que o verde capim tornará a crescer em breve e veloz.

espaço : 7 maravilhas

. Voando por aí
. Planeta Sagrado

É grande a estima que tenho pelos vossos blogs.
Obrigado por se lembrarem daqui!

4.7.07

um espaço e-terno chaplin



Delanssay

Mais do que máquinas precisamos de humanidade, mais do que inteligência, precisamos de afeição e ternura.

Charles Chaplin

3.7.07

um espaço para as diferenças


Lupe

Às vezes tenho a sensação de que nos querem todos iguais.
E sob um olhar rápido, assim parece, hirtos, arranjadinhos, acertadamente enfileirados.
Semelhantes na forma de nos comportarmos, no que devemos sentir e pensar, no estilo de vida e nos objectivos que devemos ter.
Ao ver com mais atenção e calma, descobrimos que não é assim, que temos pontos comuns mas que são muitas as diferenças.
Aí, tu e eu, poderemos até chocar mas, se quisermos, também crescer muito mais.
Essa é a grande riqueza!