26.1.09
Espaço: talvez só um arrepio
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O tempo no espaço
As folhas celebram o vento
celebram o rodar do tempo,
o movimento perpétuo das coisas.
No coração da tarde
acendo o poema:
no seu pulsar vermelho
as folhas repetem ao ouvido
a nomeação serena do amor
Nuno Higino
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25.1.09
22.1.09
Um espaço perigoso

Fantastyczna Czworka
Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos, é sonhar mais.
Marcel Proust
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11.1.09
Espaço : resistir

Kotama Bouabane
Era uma vez uma galinha branca que punha ovos azuis...
- Ovos azuis? - reclamou a professora, indignada, interrompendo a leitura da minha redacção, enquanto a turma se agitava em risinhos de troça e segredinhos maliciosos.
- Ovos azuis, sim, senhora professora - respondi eu. - A minha galinha põe ovos azuis.
- A menina está a brincar comigo? Já viu alguma galinha pôr ovos azuis? Sente-se imediatamente e faça já outra redacção.
Voltei para o meu lugar, de cabeça erguida, enfrentando a galhofa da turma.
Não baixei os olhos. Apenas os senti escurecer, num desafio.
Durante o recreio fiquei na aula, de castigo. Mas não fiz outra redacção.
Quando, depois do "toque", a professora chamou-me para que lesse em voz alta a segunda versão, comecei:
- Era uma vez uma galinha branca que punha ovos brancos, só porque não a deixavam pôr ovos azuis..."
Maria José Balancho
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4.1.09
A volta da fechadura no espaço






Crystal Liu
Uma casa ao sol do meio-dia.
A tarde ainda não sabe
mas no inverno dentro das casas
há um chamamento
que ilumina as tarefas
liga os dias às noites
o cheiro a maça assada
e o café quente entre as mãos.
A voz cai exactamente onde estamos
diz de ti o tempo que preserva.
Melancolia não é uma cadeira
frente a uma janela
nem as roupas que sobre ela repousam
talvez o silêncio que passa pela mão
cujos nós nos dedos não vêm desfazer
a volta da fechadura.
Vasco Ferreira Campos
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1.1.09
23.12.08
Espaço : A minha mensagem de Natal.

Mortem Bjarnhof
Levanta-te, toma a tua enxerga e anda.
Jo 5,8
Dedico este post a todos os que tocam a dor mas que procuram continuar a fazer caminho.
Um sincero bom Natal a todos!
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14.12.08
Teu espaço : o que não quero!

Lieko Shiga
Não quero viver
sem ti
mais nenhum tempo
Nem sequer um segundo
do teu sono
Encostar-me toda a ti eu não invento
Tu és a minha vida o tempo todo
Maria Teresa Horta
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12.12.08
11.12.08
O espaço acima do muro alto...


Noele Lusano
Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto
folhas tremiam
ao invisível peso mais forte
Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate
José Tolentino Mendonça
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10.12.08
Em que pensar, agora, senão no teu espaço?
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25.11.08
A grandeza no espaço
Somos pequenos e é o seu reconhecimento que nos pode tornar maiores.
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21.11.08
Um espaço e nada mais



?
Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais - que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.
Ana Luísa Amaral
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16.11.08
Espaços e caminhos : uma imensidão

Ryan Mcginley
Mesmo que se tenha percorrido muitos caminhos, ainda na vida haverão muitos caminhos a percorrer.
Santo Agostinho
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14.11.08
Espaço : aprender a olhar

Jessica Romberg
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles
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A festa no espaço
- Preciso de te pedir um favor. Quero que me dês licença para eu organizar uma festa: uma festa aqui no jardim, uma festa de flores igual às festas dos homens.
– Uma festa igual à dos homens? Mas para quê? Nós não precisamos de mais festas. Para nós tudo é uma festa: é uma festa o orvalho da manhã, é uma festa a luz do sol, é uma festa a brisa da tarde, é uma festa a sombra da noite. As flores não precisam de outras festas. E eu também não.
- Uma festa para nos divertirmos - respondeu o gladíolo.
- Não somos homens - disse o Rapaz de Bronze - , pareces a Dona da Casa. Ela não sabe passear no jardim, nem repara na brisa da tarde, nem olha para as estrelas da noite. Só quer festas com muitas pessoas e com muito barulho. Quando está sozinha murcha!
- Se eu não for a uma festa fico muito infeliz! Deixa-me organizar uma festa.
Então o Rapaz de Bronze viu que o Gladíolo estava com um ar muito melancólico e amachucado e teve pena dele e disse.
- Não estejas triste. Endireita as tuas pétalas. Podes fazer a festa.
Sophia de Mello Breyner
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13.11.08
Espaço : os lugares da cama


Jenny Kristina
Adormecemos juntos acordamos
apartados
disputámos o lençol como
quem puxa a razão par si
a
quantos beijos estamos hoje: de distância?
de manhã a voz é lenta chega
a chegar atrasada
(a cama feita a correr não
vá a empregada encontrar
caída entre lençóis
a
palavra proibida). Se
os braços devem morrer ao
longo da fadiga de um corpo
que
seja ao longo do teu
(tu não me olhes assim
com o ruído nos olhos:
os beijos desarrumados depois
de os utilizares)
por favor fica a meu lado. Quero
que sejas tu o
parente mais chegado.
João Luís Barreto Guimarães
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10.11.08
Espaço : os amigos
?
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
construimos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Helder
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