13.4.09

Espaço : volto a cantar


David Meanix


Volto a cantar, e voltam-me à memória
As rústicas imagens,
Que guardei na retina
De menino:
O repique do sino
Depois das negras horas da Paixão,
E a brejeira
Canção
Que num toco
Já oco
De cerdeira
- Flauta que um pica-pau lhe dera -
A seiva assobiava à Primavera...

Miguel Torga

Bom dia e boa semana!

10.4.09

O espaço em que a morte se repete


Lorna Simpson

7.4.09

Aproxima-se a páscoa de muitos espaços...




Cristina Villa
?


Somente onde há sepulturas há também ressurreições.

Nietzsche

4.4.09

À procura dos espaços onde se encontram os olhares


Ryan Mcginley


e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar

Ruy Belo

2.4.09

Espaço dos partos sucessivos da vida




Gabriel Pacheco


Entro. Conheço a minha casa. É mansa
Sinto-lhe a respiração. Dorme sobre os meus pés
À chuva
Estende o patamar aos primeiros rios


Mora nas margens para ser a mais matinal
Das nascentes – a escuta


Junto na concha das mãos as palavras
Iniciais. Posso dar de beber
Aos que caem
Aos que encostam o ouvido à orla
Marítima. À bainha da mãe


Posso juntar as margens. Ou soltar a água
E correr


Daniel Faria

30.3.09

Se... no espaço


?


Se tu podes impor a calma, quando aqueles
Que estão ao pé de ti a perdem, censurando
A tua teimosia nobre de a manter,

Se sabes aguardar sem ruga e sem cansaço,
Privar com Reis continuando simples,
E na calúnia não recorres à infâmia
Para com arma igual e em fúria responder,
- Mas não aparentar bondade em demasia
Nem presumir de sábio ou pretender
Manifestar excesso de ousadia, -

Se o sonho não fizer de ti um escravo
E a luz do pensamento não andar
Contigo num domínio exagerado,

Se encaras o triunfo ou a derrota
Serenamente, firme, e reforçado
Na coragem que é necessário ter
Para ver a verdade atraiçoada,
Caluniada, espezinhada, e ainda
Os nossos ideais por terra, - mas ergue-los
De novo em mais profundos alicerces
E proclamar com alma essa Verdade!

Se perdes tudo quanto amealhaste
E voltas ao princípio sem um ai,
Um lamento, uma lágrima, e sorrindo
Te debruçares sobre o coração
Unindo outras reservas à Vontade
Que quer continuar, e prosseguindo
Chegar ao infinito da razão,

Se a multidão te ouvir entusiasmada
E a virtude ficar no seu lugar,
Se amigos e inimigos não conseguem
Ofender-te, e se quantos te procuram
Para contar com o teu esforço não contarem
Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,

Se podes preencher esse minuto
Com sessenta segundos de existência
No caminho da vida percorrido
Embora essa existência seja dura
À força das tormentas que a consomem,
Bendita a tua essência, a tua origem,

O mundo será teu,
E tu serás um Homem!

Rudyard Kipling

19.3.09

As relações no espaço


DelilahWoolf


SIM, a Sabedoria.
Mas primeiro respeitar o Mistério.

Gonçalo M. Tavares

18.3.09

Espaço espelho Espaço


Elene Usdin


Podes ser toda a vida imitação
tudo estudado em cada gesto exposto
papel que representas
muito exacto.

Ou podes enfrentar a solidão
deixar que pouco a pouco um rosto
rompa entre fendas
teu final retrato


Bernardo Pinto de Almeida

15.3.09

Amor(as) no espaço


?

Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.

Herberto Helder

9.3.09

Espaços da vida das pétalas...






Barbara Cole


Simplesmente crê;
não se desprendem as pétalas
apenas assim?

Issa Kobayashi

6.3.09

Espaço : manhã de Inverno


Johanna Reed


Era preciso agradecer às flores
terem guardado em si, límpida e pura,
aquela promessa antiga
de uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner Andresen

4.3.09

Espaço : correndo, correndo pela noite...


Sybil Rondeau


Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredoras magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo.

É o som delas batendo como estrelas
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam, lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando.

De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um canto
da noite, lembrando.

Ouço: são elas que partem. E levam
o sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.

Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
como magnólias pensando, abertas, correndo.
Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
de lado, com as patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.

Correndo, lembrando, batendo.

Herberto Helder

1.3.09

Space : devastating



Estelle Hanania



27.2.09

No espaço destes dias de Fevereiro



Benny Lau


É mais fácil partir quando o silêncio
transpõe a tua voz.
Mais simples celebrar a tão efémera
certeza de estares vivo.

A música do ar esvai-se nas sombras,
tu sabes que é assim,
que os dias correm céleres, não tentes
perseguir o seu rasto - repara
como em abril as aves são felizes.

Sê como elas: não perguntes nada,
deixa que o sol responda à flor da tarde
e esquece-te do mundo.

Fernando Pinto do Amaral

Bom fim-de-semana!

24.2.09

Um espaço de altos desejos.



Diane Golay



Está tão puro já meu coração,
que é o mesmo que morra
ou cante.

Juan Ramón Jiménez

22.2.09

Espaço : o princípio da oração


Alyssa Monks


Senhor, enche o meu quarto
de alto mar.

Filipa Leal

19.2.09

Espaço da "i" e do avô


Angela Bacon-Kidwell


O menino tem na alegria o seu amplo modo
e pensamento redondo.
Chega sem fazer ruído, fecha os olhos
e ninguém o vê - assim o julga
mas uma sombra ao sol revela-o
prometido.
Seus pedidos são mínimos ao ouvido do avô
que o inocenta de tudo
e lhe tenta dizer que o mundo dos adultos se perde
em pequenas coisas sem qualquer utilidade
que alguém acompanha a composição do seu sangue
mas o pequeno apenas lhe sorri, não presta atenção
tem a vida por si.

Vasco Ferreira Campos

3.2.09

Espaço : análises e teorias


Lina Scheynius


Quem o amor imagina, sem o conhecer,
não sabe o que perde quando imagina;
menos do que nada vale o saber
perante o que o coração nos destina.

Um rosto que se abre num sorriso
e limpa do céu todo o cinzento;
uns lábios que trazem loucura e siso
e na alma abrandam o mais alto vento.

Pode falar-se do que é o amor,
rodeá-lo de análises e teorias;
é como um cego a descrever a cor,

ou um surdo sonhando melodias.
Só quem ama conhece a verdade
em que a ilusão se faz eternidade.


Nuno Júdice

Somos sangue no espaço


.


Sempre a ferida, a fragilidade, a nudez, a consciência de seres em falta, o sermos mínimos, a carência, a pequenez, ...

Daí a fonte.