23.1.08

Que espaço a não ser eu...


Claus Wickrath

a jarra tombou
a água correu sobre a mesa

as flores calaram-se aos poucos
o espantalho tocou o acordeão

a criança cansou-se do vento
desatou as sandálias

o mar meditou duas vezes
qual o horizonte

do sotão a galinha presa
viu um avião voar

uns quantos vestiram-se de negro
viveram da morte dos outros

suicidou-se uma sombra
debaixo do meu pé

a mulher calçou-se de branco
para a ressurreição

o país desbotou
no mapa das escolas

amor que esperas de mim
a não ser eu

Luiza Neto Jorge

4 comentários:

* disse...

que intenso este blog. gosto tanto...

AJO disse...

Vim cá retribuir a visita... e parece que voltarei... gostei muito desta sua página.
Boa semana

nuno disse...

gosto destes rastos. gosto de cometas.

matilde disse...

lamento profundamente, mas as pessoas em geral não esperam de nós nós próprios, mas sim uma versão light de nós mesmos.