11.9.07

o teu espaço : a invenção do amor



Nan Goldin

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor
Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Daniel Filipe

O poema é enorme - tal como a sua beleza - por isso não o transcrevi todo para aqui.
Vale a pena procurá-lo e aspirar o seu doce bafo quente . Chama-se A Invenção do Amor.

16 comentários:

Vanessa disse...

Lembrei-me agora sem querer do 2046... :)

Teresa Durães disse...

conheço-o bastante bem. necessitei de o declamar quando tinha 13 anos ehehehhe (uma parte!)

mais do que a invenção do amor, é a denúncia da perseguição

Plum disse...

É deveras lindíssimo!Abraços!***

Dalaila disse...

Não conhecia, mas espero que todos o inventem...

Gostei muito!

eyes shut disse...

a incessante invenção do mais antigo e misterioso dos mundos: o Amor...*

margarida f. disse...

...Ficou provado que não se conheciam
Encontraram-se ocasionalmente num bar de hotel numa
tarde de chuva
sorriram inventaram o amor com carácter de urgência
mergulharam cantando no coração da cidade...

un dress disse...

já pouco lembramos deste carácer de urgência...

ou mesmo de qualquer outro carácter.

agora alimentamo-nos alarvemente do próprio verniz das palavras.

mas lembramos ainda embora a nostalgia já nos habite mais que o desejo.
e por isso mesmo esse poema nos acorda... e é belo...



lindo sempre...:)

beijO

s. disse...

dos melhores poemas de sempre

Cândida disse...

eu tb conhço bem, palerm´oides. aliás, tenho o livro. estúpidossssssssssssssss

blá blá blá disse...

o amor que dá o sentido,sentido, sentido.. é preciso inventar!

petroy disse...

a intimidade captada por nan goldin vai para lá das imagens ... é confrangedora para quem a vê ... para quem a invade

Fire Soul disse...

conhecia já esse poema de um sarau de poesia. Simplesmente lindo... Gostei do blog. =)

menina tóxica disse...

sim. lindo lindo lindo.
e também só o descobri há pouco tempo.

:)

nana disse...

obrigada por este cheirinho do poema...
acho que nan goldin foi óptima escolha para o que.

Cerejinha disse...

"A invenção do amor e outros poemas" - revisito-o volta e meia :-)

Mar disse...

Um homeme e uma mulher
com olhos e coração e fome de ternura...

Bíblia de cabeceira desde os meus 20 anos. :-)