19.9.07

un espacio arbolé arbolé



Rose-Lynn Fisher

Arbolé, arbolé
seco y verdé.

La niña del bello rostro
está cogiendo aceituna.
El viento, galán de torres,
la prende por la cintura.
Pasaron cuatro jinetes
sobre jacas andaluzas
con trajes de azul y verde,
con largas capas oscuras.
«Vente a Córdoba, muchacha».
La niña no los escucha.
Pasaron tres torerillos
delgaditos de cintura,
con trajes color naranja
y espadas de plata antigua.
«Vente a Sevilla, muchacha».
La niña no los escucha.
Cuando la tarde se puso
morada, con luz difusa,
pasó un joven que llevaba
rosas y mirtos de luna.
«Vente a Granada, muchacha».
Y la niña no lo escucha.
La niña del bello rostro
sigue cogiendo aceituna,
con el brazo gris del viento
ceñido por la cintura.

Arbolé arbolé
seco y verdé.

Federico García Lorca

Conheci este texto num livro, comprado em Madrid, acho que em 2001. Li-o na altura e não lhe dei grande valor. Um dia destes, ao visitá-lo outra vez, fiquei-me na sua forma bela, impressionado com o conteúdo simples que lhe encontrei. Ontem, ao lê-lo uma vez mais, recebi-o com a surpresa de o sentir imensamente triste...

Há dias em que não devia ler certos poemas...

:)

8 comentários:

Cientista disse...

Há dias assim... em que as palavras querem dizer outras coisas...!

Dalaila disse...

É magnifico!
......... mas há dias que as letras têm outra dimensão....

petroy disse...

... afinal já havia escolhido o vento e o olival ... [gostei muito]

Cometa 2000 disse...

cientista, é bem verdade, todos os dias diferente.

dalaila, também o acho. tocam-nos de acordo com o que vivemos.

petroy, essa foi a minha primeira leitura. o que me agradou! a segunda (a tal de ontem) foi quando achei que quem era seco y verdé afinal não era a arbolé mas sim a niña que no escucha...
[continuo a gostar muito do teu excelente blog]

un dress disse...

tenho medo do excesso de beleza de lorca

o que mora na mais profunda melancolia...




beijO

eyes shut disse...

é verdade... há dias que não foram feitos para entristecer... em rigor, todos os dias deviam ser oferecidos à Alegria...

celebremos a Natureza que nos dá tudo sem saber... (ou quase tudo :)

musalia disse...

que interessante! soa-me a um 'romance' de tradição oral. sim, triste seria a jovem confinada à sua condição. mas, e se soubesse, de antemão, que Córdoba seria o final dos sonhos (tecidos enquanto colhia azeitona) ? por outro lado poderiamos tomar o sentido de a oportunidade perdida...
:)

Cometa 2000 disse...

un dress, também eu, também eu.

eyes, palavras simples e uma imensa sabedoria. obrigado.

musalia, sintonia total! [sorrio] acho que na tua segunda visão foste directa ao ponto certo da minha leitura.