5.9.08

O espaço da v"i"da inteira


?


A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.

Naturalmente, menti,
mas também os conceitos de infinito
são diferentes: é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções
e disjunções de espaço e tempo,
nem sequer em morte.

A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser inevitável a questão
seguinte: o que é morrer?

Por isso respondi que para sempre
era assim largo, abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.

(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)


Ana Luísa Amaral


6 comentários:

F. disse...

"Vou fazer-te existir na intensidade absoluta da beleza, na eternidade do teu sorriso. Vou fazer-te existir na realidade da minha palavra."

Li o poema e pensei de imediato neste excerto do "Para Sempre" do Vergílio Ferreira que também já postei na Cicuta...
Obrigada por visitares. A porta está sempre aberta.

mdsol disse...

Muito bonito o poema! E a imagem.
É sempre um gosto passar aqui!
:)

~pi disse...

pa

ra

sem pre ~

~( sem

pre

pa

ra




~

Queen Frog disse...

:) lindo o poema q já conhecia. fiquei apaixonada pela imagem!

dora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
dora disse...

a vIda Nunca deixa de sÊ-lo, amigo... (para) Sempre!