21.8.08

Espaço : de tantas formas de arder...

Na verdade pouco interessam os porquês.

Uma casa que se destrói pela fúria de um tornado violento, um barco seguro que se afunda numa inesperada tempestade, certas doenças que nunca tínhamos ouvido falar, às vezes a morte.

Coisas que não dominamos, acontecimentos que nos escapam e não dependem de nós. Que nos ultrapassam mas que mesmo assim tentamos perceber.

Enfim, a natureza impede-nos de compreender tudo e, de facto, a maior parte das vezes não é necessário fazê-lo. A vida não tem um livro de explicações, nem tem de estar sempre sob nosso controle.
Aliás, mesmo que tentemos, ela não deixa.

Não quero dizer com isto que a maior parte do que sucede não carece de avaliação e mudança. Precisa. Mas não é disso que quero falar. É do que tentamos justificar sendo injustificável. Do que apenas é e acontece.

De novo, como há quem diga, pouco interessam os porquês mas os para quês.
O que vale e faz seguir é o sentido que damos às coisas, as suas posteriores "significações", o que descobrimos de positivo e o sumo que lhes conseguimos retirar.

Imediato? Não. Pelo menos para mim. A quente não vemos nada. O trajecto é normalmente longo e longo e muito longo.
Talvez o caminho todo. Às vezes claro, às vezes escuro, às vezes aprendemos e fica, outras vezes aprendemos e desaprendemos o aprendido e temos de aprender outra vez.

Pois, nunca nos disseram que "isto" era sempre em frente e que era tudo fácil.
Mas ainda bem. Ou melhor - digo - quase sempre ainda bem.

Continuam a ser grandes tabus da nossa contemporaneidade o sofrimento e a morte. Queremos tudo light ou açucarado. Por isto quis escrever. Eu que apesar de tantas palavras estou longe e vejo pouco.

Bem-hajam!

3 comentários:

margarida disse...

Obrigada.

Danuia disse...

Por vezes o "porquê" e o "para quê" devem ser deixados de lado...
Impedem-nos de chegar à luz... à pacificação...à clarificação...

Muitas vezes o "como" afigura-se mais urgente.

Devolve-nos a centragem necessária para seguir em frente; embora ainda que em silêncio magoado...

A vida é um eterno caleidoscópio de experiências...

Como seguir essa vertigem? Como sair de onde nos encontramos? Como avançar despidos de nós?

Atravessando dentro de nós o deserto até encontramos o oásis que dá de beber ao mundo...

D*.

MAR disse...

A ausência e a saudade, o vazio e o silêncio. A dor e o sofrimento de uma perda irreparável, quando surge na nossa vida, é tremendamente doloroso.